26 de fevereiro de 2025

Pepe, ídolo do Santos e do esporte brasileiro, completa 90 anos


José Macia, o Pepe, documentou toda a carreira. Ele nem poderia imaginar que um hábito despretensioso iria produzir relíquias do futebol brasileiro. Pepe, ídolo do Santos e do esporte brasileiro, completa 90 anos
Um ídolo do Santos e do esporte brasileiro está completando 90 anos nesta terça-feira (25). José Macia, o Pepe.
Ele nem poderia imaginar que um hábito despretensioso iria produzir relíquias do futebol brasileiro.
“Eu comecei a anotar com interesse, meus pais gostavam de ver, meu irmão. Comecei com o primeiro caderno, foi para o segundo, terceiro. Hoje, eles tão velhinhos, mas bem cuidados”, conta Pepe.
José Macia, o Pepe, testemunhou em campo uma época de ouro do esporte e anotou tudo o que fez, com riqueza de detalhes, em três cadernos que resistiram ao tempo.
“Sempre que tem alguma dúvida, eles dizem: ‘Pepe, precisamos dos teus cadernos’. Vai desde 1951 até quando eu parei de jogar, em 1969”, afirma Pepe.
Nas páginas desgastadas é possível resgatar pérolas, como um Santos e Palmeiras de 1958.
Pepe, ídolo do Santos e do esporte brasileiro, completa 90 anos
Reprodução/TV Globo
“Contagem estrambólica: primeiro tempo já estava 5 a 2. E não é que o Palmeiras virou? 6 a 5. Faltavam 10 ou 11 minutos, e eu marquei dois gols: 6 a 6 e 7 a 6”, lembra Pepe.
Pepe jogou somente pelo Santos e pela Seleção Brasileira durante a carreira, e ganhou 27 títulos, incluindo duas Copas do Mundo. Ele teve o privilégio de jogar boa parte da carreira ao lado de Pelé. Mas, às vezes, era Pepe quem resolvia o jogo, como em um Brasil e Inglaterra, em Wembley, no ano de 1963. Diante de uma falta para os brasileiros, o goleiro inglês Gordon Banks confiou demais na barreira.
Pepe e Pelé
Reprodução/TV Globo
“Foi buscar a bola dentro do gol. Mandei uma caçamba, eu batia forte de três dedos, com efeito. Grande goleiro, ele pegou tudo naquele jogo, menos essa falta”, diz Pepe.
A maioria das partidas registradas não tem documentação visual ou sobrevive apenas em imagens desgastadas em preto-e-branco. Já as memórias do Pepe são coloridas, vivas, e assim ajudam a traduzir a importância de alguns feitos, como o grande jogo da vida dele, em 14 de novembro de 1963: Santos e Milan decidiam o Mundial de Clubes. Os italianos, em casa, haviam vencido o primeiro jogo por 4 a 2. E, na partida de volta, no Brasil, chegaram a abrir 2 a 0. Detalhe: Pelé era desfalque no Santos.
“Sobrou um bocado de responsabilidade para mim. Sabiam que eu tinha um chute forte, podia decidir. E foi o jogo da minha vida”, conta Pepe.
Memórias do Pepe escritas por ele em caderno
Reprodução/TV Globo
Pepe completa 90 anos nesta terça-feira (25). E o presente que mais gosta de receber são oportunidades para contar o que escreveu naqueles cadernos.
“Eu gosto de reviver. Coisas boas, vitórias, títulos, conquistas”, diz Pepe.
Pepe é o guardião do tempo do nosso futebol. Com ele, a história sobrevive.
Pepe no Santos
Reprodução/TV Globo

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