28 de setembro de 2024

Com alta de 25% em 60 anos, Brasil agora tem média de 100 dias seguidos sem chuvas

Pesquisa do Inpe aponta que, nos últimos 60 anos, país viu aumentar número de dias sem chuva, resultado das mudanças climáticas. Seca do Solimões já isolou Benjamin Constant no Amazonas
Reprodução
Em 60 anos, o número de dias seguidos sem chuvas no Brasil subiu de 80 para 100, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Isso significa que o período seco no país está ficando mais severo, o que, segundo especialistas, é um sinal de que a mudança climática já está acontecendo.
O estudo mostra que a estiagem está se tornando parte do clima no país. O levantamento analisou dados das estações que medem chuva espalhadas pelo território nacional divididas em dois tempos: primeiro de 1961 a 1990 e, depois, de 1991 a 2020.
🔍 O que a pesquisa descobriu é que, no primeiro período, o país ficava sem chuva uma média de 80 a 85 dias seguidos. No segundo período, esse número passou a 100 dias, um aumento de 25%. (Veja a evolução nos mapas abaixo)
Imagem mostra avanço da estiagem no país
Arte/g1
O estudo aponta que as áreas mais vulneráveis a estiagem são o Nordeste, o Centro-Oeste e trechos do Sudeste — o que mostra uma mudança no padrão de seca, como a que estamos vendo agora.
Entre os estados com os piores índices de estiagem estão:
Ceará
Rio Grande do Norte
Piauí
Maranhão
Piauí
Bahia
Tocantins
Goiás
Minas Gerais
Mato Grosso
Mato Grosso do Sul
Partes de São Paulo
“A gente via essa estiagem afetando mais a região Nordeste, mas agora isso está se espalhando para outros estados. Afetando, inclusive, o Sudeste. Isso é um sinal da mudança de padrão”, explica Alves.
Brasil enfrenta pior seca da história
Por que isso está acontecendo?
Segundo o autor da análise, Lincoln Alves, especialista em mudanças climáticas, isso é resultado da maior emissão de gases do efeito estufa.
O pesquisador explica que a análise indica que o país está vivendo um cenário de mudança do clima de forma acelerada.
“Havia previsões do aumento da estiagem nesse nível, mas isso deveria acontecer até 2050. O que estamos vendo é que muito antes do tempo já estamos passando por esses efeitos. É necessária uma resposta urgente”, explica Lincoln Alves.
O levantamento faz parte de uma série de pesquisas que vêm tentando entender o “novo clima” no país. Os dados já apontaram:
🚨 Aumento da temperatura em até 3°C;
🚨 Aumento no número de ondas de calor;
🚨 Aumento também de chuvas intensas, como as que foram vistas no Rio Grande do Sul.
Os estudos vão servir de base científica para a elaboração do Plano Clima Adaptação, aprovado neste ano depois da tragédia no Rio Grande do Sul. A proposta é que as informações possam ajudar o poder público na gestão de ações para minimizar os impactos da mudança do clima.
“O estudo mostra que o país está sofrendo com as mudanças do clima e não são uma sentença, mas um sinal de alerta que nos mostra a direção que devemos agir. Precisamos diminuir a emissão de gases, que o Brasil tem uma contribuição significativa, e precisamos pensar em mitigação. Em como o poder público vai agir para minimizar os impactos”, explica.
Seca extrema já afeta turismo no ‘Caribe amazônico’
Seca atinge metade das terras indígenas na Amazônia

Mais Notícias