3 de abril de 2025

Após senador falar em enforcar Marina, Janja defende ministra e diz: ‘é de doer ouvir seis segundos de asneiras’ de Plínio Valério


Primeira-dama afirmou que ministra do Meio Ambiente tem ‘uma história de vida e de trabalho que inspira pessoas ao redor do mundo há décadas’; Valério disse que fez uma brincadeira em sua declaração, mas não se arrependeu. A primeira-dama brasileira, Janja da Silva
Divulgação
A primeira-dama Janja da Silva saiu em defesa da ministra Marina Silva (Rede-SP) após o senador Plínio Valério (PSDB-AM) dizer que teve vontade de enforcar a ministra do Meio Ambiente.
Janja afirmou que Marina tem “uma história de vida e de trabalho que inspira pessoas ao redor do mundo há décadas” e que é “de doer ouvir seis segundos de asneiras” de de Plínio Valério (leia íntegra abaixo) .
“Uma mulher gigante, que um homem com a ignorância do senador Plinio Valério jamais vai conseguir enxergar. Sua fala carregada de ódio, misoginia e de um desconhecimento sem tamanho é um reflexo de sua pequenez. É esse comportamento masculino que mata nossas mulheres diariamente”, escreveu a primeira-dama em uma rede social.
Senador diz que fez brincadeira ao mencionar vontade de enforcar Marina Silva
Como Plínio Valério falou de Marina Silva?
A fala original do parlamentar, que gerou toda a situação, aconteceu na sexta-feira (14), durante um evento no Amazonas.
Na ocasião, ele fazia referência a uma sessão da CPI das ONGs em que Marina Silva falou com os parlamentares por cerca de seis horas.
“Imagina vocês o que é ficar com a Marina 6 horas e 10 minutos sem ter vontade de enforcá-la?”, disse.
Na tarde da quarta-feira (19), Valério comentou sua declaração no Senado. Ele disse que fez uma brincadeira.
“Na CPI das ONGs, a ministra Marina esteve na CPI. Foram 6 horas e 10 minutos que eu a tratei com educação. Ela provocou e eu não entrei nisso, com toda educação. Por ser mulher, ministra, por ser negra, por ser frágil, foi tratada com toda delicadeza. Ela sabe disso”, argumentou.
“Um ano se passou e eu fui receber uma medalha e na brincadeira, em torno de brincadeira, eu falei: ‘Imagina vocês o que é ficar com a Marina 6 horas e 10 minutos sem ter vontade de enforcá-la?’ Todo mundo riu, eu ri, brinquei”, prosseguiu.
Mas afirmou que não se arrependeu:
“Foi brincadeira. Se você perguntar, você faria de novo? Não. Mas se arrependo? Não. Foi uma brincadeira. Agora, o que me encanta é o Senado ficar sensibilizado com uma frase”, justificou.
O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP), fez uma reprimenda ao parlamentar na quarta-feira (19).
Alcolumbre afirmou ter recebido cobranças de parlamentares para se posicionar sobre o caso. Ele classificou a fala do senador como inadequada e agressiva, mesmo que tenha sido feita em tom de brincadeira:
“Não concordo com muitas posições ideológicas da ministra em relação ao país, mas acho que o meu querido colega, senador Plínio Valério, precisa fazer uma referência em relação a essa fala, até mesmo justificar se foi uma fala equivocada (…)”, afirmou.
“Estamos vivendo um momento tão difícil que uma fala de um senador da República, mesmo de brincadeira, agride, infelizmente, o que nós estamos querendo para o Brasil”, completou o presidente do Senado.
Plínio Valério reafirmou que não se arrepende da declaração em que sugeriu “enforcar” a ministra e reclamou da reprimenda pública de Alcolumbre argumentando que o caso poderia ter sido tratado de maneira reservada pelos dois.
Em resposta, no programa “Bom Dia, Ministra”, ainda na quarta, Marina disse que a declaração do parlamentar é de um “psicopata.
Gleisi também defende Marina
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann (PT-PR), também saiu em defesa da ministra Marina Silva.
Ela disse que não é a primeira vez que as mulheres são atacas quando ocupam cargos com poder político relevante e pediu punição para atitudes do tipo.
“Toda solidariedade à ministra Marina Silva, vítima da violência política de gênero parte do senador Plínio Valério. Não é a primeira vez que mulheres são atacadas quando ocupam espaços políticos relevantes, e isso é ainda mais grave quando os ataques partem de pessoas com reponsabilidade institucional, como é o caso de parlamentares”, disse.
“Além do repúdio da sociedade, é a punição desses crimes, conforme a lei, que pode estancar as manifestações de ódio e violência política que atingem as mulheres e a própria democracia”, emendou a ministra.
Leia declaração de Janja:
“A ministra Marina Silva é uma dádiva que o nosso país tem o privilégio de ter. Uma mulher pioneira na defesa do meio-ambiente e na luta por um mundo mais justo e sustentável. Tem uma história de vida e de trabalho que inspira pessoas ao redor do mundo há décadas.
Uma mulher gigante, que um homem com a ignorância do senador Plinio Valério jamais vai conseguir enxergar. Sua fala carregada de ódio, misoginia e de um desconhecimento sem tamanho é um reflexo de sua pequenez. É esse comportamento masculino que mata nossas mulheres diariamente.
Se para ele é difícil ouvir uma mulher tão inteligente falar durante seis horas, para nós é de doer ouvir seis segundos de asneiras vindo de sua boca. Toda minha solidariedade, afeto e admiração à minha querida amiga e Ministra Marina Silva. Você é gigante e não está sozinha!”
Leia a declaração de Gleisi Hoffmann
“Toda solidariedade à ministra Marina Silva, vítima da violência política de gênero parte do senador Plínio Valério. Não é a primeira vez que mulheres são atacadas quando ocupam espaços políticos relevantes, e isso é ainda mais grave quando os ataques partem de pessoas com reponsabilidade institucional, como é o caso de parlamentares. Além do repúdio da sociedade, é a punição desses crimes, conforme a lei, que pode estancar as manifestações de ódio e violência política que atingem as mulheres e a própria democracia.”

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