12 de janeiro de 2025

Em ato simbólico, pais e alunos pedem retorno de aulas e atividades escolares no Colégio Pedro II

Desde o início do ano letivo, os estudantes só tiveram um dia de aula. Camila dos Santos, do 3º ano do ensino médio, disse que se sente despreparada para os vestibulares. Pais e estudantes do Colégio Pedro II realizam ato simbólico para retorno das aulas
Um grupo de pais e alunos do Colégio Pedro II fez, nesta segunda-feira (10), um ato simbólico pedindo a volta das aulas e atividades escolares após 2 meses e 7 dias de greve dos servidores, quando os docentes e técnicos-administrativos da instituição aderiram ao movimento da rede federal, iniciado em março.
Desde o início do ano letivo, os estudantes só tiveram um dia de aula.
“Entendo os professores, eles precisam mesmo desse reajuste, mas também os nossos filhos não podem ficar largados assim. Como é que vai ser o futuro?”, questiona a mãe e dona de casa Jeniffer Machado, que tem três filhas matriculadas na escola.
A mais velha, Camila dos Santos, está no 3º ano do ensino médio. Neste domingo (9), na 1ª fase do vestibular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Camila disse que se sentiu despreparada por conta da ausência das aulas. Ela sente medo, também, de ser prejudicada no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que acontece em novembro.
“A gente não está tendo ajuda da nossa escola, então a gente está estudando por pré-vestibular, aulas no YouTube, procurando questões antigas. Tudo sozinho. Não temos base, né? Então, como estamos estudando sozinhos, está sendo meio difícil”, diz.
Ato simbólico de responsáveis e estudantes pedindo retorno das aulas no Colégio Pedro II
Reprodução
Ato simbólico de responsáveis e estudantes pedindo retorno das aulas no Colégio Pedro II
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“Sendo sincero, se essas aulas não voltarem de maneira imediata, pra mim o ano letivo já acabou. Já tiveram dois bimestres de aulas em outras instituições. O Pedro II é o colégio mais atrasado no território nacional”, disse o motorista Renan Maia.
Segundo os responsáveis, a greve tem afetado a rotina das crianças e pesado no bolso.
“Eu estou pagando professora particular para a minha filha não ficar tão atrasada e ela está frequentando psicólogo porque está tendo crises de ansiedade. Ela quer retornar, ela está com saudade dos amigos”, detalhou a vigilante Letícia Lima.
Colégio Pedro II, campus Centro
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Fase de negociações
Na última sexta-feira (7), a categoria decidiu em assembleia pela continuidade da greve. Nessa semana, serão iniciadas duas rodadas de negociação com o governo federal. E no dia 19 de junho, os servidores voltam a discutir se vão manter o movimento.
Eles reivindicam:
Reestruturação de carreiras;
Reajuste salarial;
Recomposição orçamentária das instituições de ensino.
Greve na rede federal continua e fase de negociações com o Governo Federal terá duas rodadas
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Em tentativas anteriores de diálogo, os servidores não chegaram a um acordo com o governo e nem sobre a previsão de retorno das aulas.
“Eu achei que eu ia entrar, ia ter um monte de aula, ia me divertir, ia aprender muito. Mas não tá acontecendo isso. Eu quero que volte as aulas”, fala o estudante Miguel de Matos, do 6º ano.
Ato simbólico de responsáveis e estudantes pedindo retorno das aulas no Colégio Pedro II
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O que diz o Pedro II
Em nota, o Colégio Pedro II disse que a decisão pela volta às aulas é de responsabilidade do sindicato da categoria.
A entidade informou que espera ter as demandas atendidas pelo governo nas reuniões dessa semana, que acontecem nesta terça (11) e sexta (14).
O Ministério da Educação informou que está aberto ao diálogo.
Colégio Pedro II, campus Realengo
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