Jessicléia Martins tinha 17 anos e foi morta dentro de casa na Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá. Idoso suspeito pelo crime foi preso em flagrante e para MP deve responder por feminicídio. Indigena Jossicléia Martins tinha 17 anos e foi morta a facadas por idoso por não querer se relacionar como ele, diz CIMI
Conselho Missionário Indigenista
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou por feminicídio o idoso de 67 anos suspeito de matar a adolescente indígena Jessicléia Martins, de 17 anos, por não querer se relacionar com ele. O crime aconteceu no último dia 20 de fevereiro, na Aldeia Tekoha Yhovy, na Vila Eletrosul, em Guaíra.
O local do crime é uma região que enfrenta constantes ataques devido a falta de demarcação, porém a polícia descartou que o crime tenha relação com conflito fundiário na região. Veja outros detalhes mais abaixo.
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“Para a execução do crime, o denunciado teria se aproveitado do momento em que a adolescente estava sozinha em sua residência e encontrava-se distraída enquanto preparava o jantar”, afirmou o MP em nota.
Na denuncia, a promotoria indica que o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e o emprego de meio cruel como causas para aumento da pena.
Além da condenação do autor, o MP pede que o suspeito também pague a família da vítima R$ 50 mil como reparação dos danos morais causados.
A Polícia Federal (PF) segue investigando o caso.
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O crime
Após receber denúncia do crime, a PF afirma que juntamente com a Força Nacional de Segurança Pública, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar do Estado do Paraná e Guarda Municipal de Guaíra realizaram um cerco no local e o suspeito foi preso em flagrante pelo crime de feminicídio.
Para a Polícia Federal (PF), o suspeito disse que mantinha um relacionamento com a vítima, versão que é contestada por testemunhas, segundo o Conselho Missionário Indigenista (CIMI), que afirmaram que a menor era assediada há meses pelo idoso, que se dizia “amigo da família”.
Testemunhas afirmaram ainda que por se negar a manter qualquer tipo de relacionamento com o homem, a menor foi assassinada. “Ela não teve chance de chegar no hospital. Ela só teve a chance de dar dois gritos de socorro, um pedido para ele parar de esfaqueá-la”, relatou testemunha à CIMI.
“O racismo, associado à misoginia e ao machismo, compõem o cotidiano dessas comunidades onde a lógica é eliminar o outro através do abuso, do assédio, da exploração sexual e da morte mais cruel”, afirmaram o missionários do da Regional Sul do CIMI que acompanham os conflitos na região.
Para o conselho, a situação de conflitos na região é gerada pela falta de providências dos órgãos públicos no processo de demarcação do território que “tem exposto a comunidade indígena às mais diversas formas de violência”.
Em nota a Polícia Civil informou que quando foi acionada, que a PF já estava no local do crime e havia realizado perícia, bem como ouvido testemunhas e prendido o suspeito, “para terem certeza de que não seria um caso envolvendo conflitos fundiários”, disse a polícia em nota.
“Então, nesse caso, o Inquérito foi instaurado pela PF e posteriormente deve ser encaminhado para a Justiça Estadual, visto que se tratava de crime comum, feminicídio”, finalizou a Polícia Civil.
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