27 de fevereiro de 2025

Polícia Científica identifica DNA de dois PMs em carro e roupas usadas no assassinato de Gritzbach


Laudo aponta material genético do soldado Ruan Silva Rodrigues e do cabo Denis Martins, presos por suspeita de ligação direta com o crime. Gritzbach, delator do PCC, foi executado no final do ano passado no Aeroporto Internacional de SP. Antônio Vinicius Lopes Gritzbach foi morto na sexta-feira (8) no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
Reprodução/Redes Sociais
A Polícia Científica concluiu nesta quarta-feira (26) que o material biológico recolhido no carro e em roupas usadas pelos assassinos do delator do PCC Vinícius Gritzbach, executado no ano passado, é compatível com o material genético de dois dos três PMs presos por suspeita de participação direta no crime.
De acordo com o laudo, havia material genético do soldado Ruan Silva Rodrigues em um boné e na maçaneta traseira direita do carro. Em um moletom e em luvas abandonadas durante a fuga, os peritos encontraram DNA do cabo Denis Martins.
Nos últimos dias, peritos voltaram a analisar os objetos apreendidos depois da morte de Gritzbach. Com a ajuda de luzes forenses, conseguiram novas evidências, fundamentais para colocar os PMs na cena do crime.
Os peritos não localizam material genético do tenente Fernando Genauro, apontado pelos investigadores como o motorista do carro usado pelos assassinos.
No total, 32 pessoas estão presas por suposto envolvimento com a execução de Gritzbach no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
Denúncia
Na sexta-feira (21), o Ministério Público de São Paulo (MP) denunciou 12 pessoas, sendo oito policiais civis, por envolvimento com o Primeiro Comando da Capital, lavagem de dinheiro, tráfico, corrupção e diversos outros crimes.
Segundo a investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os acusados atuavam em conluio com o Primeiro Comando da Capital (PCC), usando a estrutura do Estado para favorecer a facção criminosa.
Além da denúncia, o MP pediu que os acusados paguem ao menos R$ 40 milhões em razão do “dano causado pelos crimes cometidos, bem como ao ressarcimento por dano moral coletivo e dano social”.
O documento aponta a existência de um esquema criminoso envolvendo policiais civis e empresários que usavam a estrutura do Estado para obter vantagens ilícitas. Segundo o MP, delegados e investigadores se uniram a criminosos para transformar órgãos como a Polícia Civil em instrumento de enriquecimento ilícito e proteção ao crime organizado.
De acordo com o MP, o esquema consistia em uma “relação simbiótica” entre os agentes públicos e “empresários do crime”:
Enquanto os policiais garantiam a impunidade de criminosos e desviavam investigações, os “particulares” enriqueciam com atividades ilegais.
A atuação do esquema na organização criminosa não se limitava a corrupção e lavagem de dinheiro. Os envolvidos também praticavam tráfico de drogas, homicídios e sequestros. Um dos exemplos citados na denúncia é o assassinato do empresário Antônio Vinícius Gritzbach, morto a tiros em plena luz do dia no Aeroporto de Guarulhos, colocando a vida de milhares de pessoas em risco.
Segundo o documento, Vinicius Gritzbach delatou alguns dos denunciados.
Agora, a Justiça de São Paulo deve decidir se aceita ou não a denúncia do Ministério Público contra os acusados para o prosseguimento das investigações.
Denunciados pelo Ministério Público
Ademir Pereira de Andrade
Ahmed Hassan Saleh
Eduardo Lopes Monteiro (investigador da Polícia Civil)
Fabio Baena Martin (delegado da Polícia Civil)
Marcelo Marques de Souza (investigador da Polícia Civil)
Marcelo Roberto Ruggieri (investigador da Polícia Civil)
Robinson Granger de Moura
Rogerio de Almeida Felicio (policial civil)
Alberto Pereira Matheus Junior (delegado da Polícia Civil)
Danielle Bezerra dos Santos
Valdenir Paulo de Almeida (policial civil)
Valmir Pinheiro (policial civil)
A TV Globo procurou os citados na denúncia do MP, mas não conseguiu contato até a última atualização desta reportagem.
Execução no Aeroporto Internacional de SP
Vinicius Gritzbach foi morto em 8 de novembro, quando estava no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
O empresário do ramo imobiliário era investigado por lavar dinheiro do PCC e havia feito um acordo de delação premiada com o Ministério Público para não ser condenado por associação criminosa. Responderia somente pela corrupção.
Em troca, Gritzbach revelou os nomes das pessoas ligadas à facção criminosa e à polícia que extorquiram dinheiro dele. Essa investigação está sendo feita pela Polícia Federal (PF).
A apuração sobre o assassinato do empresário é conduzida pela Polícia Civil, especificamente pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Emilio Carlos Gongorra Castilho, conhecido como “Cigarreira”, é apontado pela polícia como o principal mandante do assassinato de Vinicius Gritzbach.
A Justiça decretou a prisão preventiva de “Cigarreira” a pedido da polícia e do Ministério Público (MP), e ele é considerado foragido pelas autoridades. Segundo a investigação do DHPP e da Promotoria, Emilio contratou policiais para executarem a tiros Gritzbach.
Um motorista de aplicativo que estava dentro do aeroporto foi atingido por acaso por uma bala perdida e também morreu. Câmeras de segurança gravaram o crime.

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