Sambistas lendários, como Cartola, Martinho da Vila, Paulo da Portela e Dona Ivone Lara marcaram as 12 escolas do Grupo Especial e duas que desfilam atualmente na Série Ouro, mas já ganharam o carnaval. Escolas de samba do Rio de Janeiro
Divulgação
As escolas de samba que brilham no Grupo Especial do carnaval carioca contam com origens que vão desde times de futebol, blocos que foram transformados em agremiações e até estações de trem e ônibus. Em comum, elas possuem a paixão de seus integrantes que fizeram com que elas se tornassem referência no carnaval.
Conheça a origem das escolas de samba que desfilam no Grupo Especial ou que já venceram o carnaval do Rio:
Unidos de Padre Miguel
Bandeira da Unidos de Padre Miguel
Divulgação/ UPM
A história da Unidos de Padre Miguel começa em 1954, quando foi fundada na Rua D, em Padre Miguel, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro. No entanto, a escola só foi formalmente registrada em 1957 na Associação de Escolas do Rio de Janeiro (ASESRJ) por Genésio da Cruz Nunes, um dos fundadores.
Desde a fundação, as cores da escola são o vermelho e branco. Trata-se de uma homenagem a Guilherme da Silveira Filho, o Dr. Silveirinha, empresário da indústria de tecidos, dono da Fábrica Bangu. Ele doava os materiais usados na confecção das fantasias usadas nos desfiles da escola.
O símbolo e o apelido, “Boi vermelho”, surgiram nos anos 1960 graças a Valdomiro José de Almeida, mais uma figura importante da região e fundamental para a UPM, como é chamada pelos mais íntimos. Ele era dono de uma fazenda de gado e mestre-sala da escola.
Além de dançar e criar gado, ele também doou o terreno da quadra de ensaios da escola.
O slogan “Aqui se aprende a amar o samba” foi criado por Laudelino Libério, outro fundador e ex-presidente da escola.
Porém, o sucesso e legado da UPM está profundamente ligado às raízes na comunidade de Vila Vintém, onde a escola se estabeleceu.
Imperatriz Leopoldinense
Bandeira da Imperatriz Leopoldinense
Divulgação/ Imperatriz Leopoldinense
A escola foi fundada no dia 6 de março de 1959 no bairro de Ramos, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O farmacêutico Amaury Jório se juntou com alguns sambistas da região da Leopoldina e remanescentes da escola Recreio de Ramos.
O nome faz referência à Estrada de Ferro Leopoldina, que cortava o bairro, e que, por sua vez, ganhou este nome em homenagem à Imperatriz Leopoldina, primeira mulher de D.Pedro I.
As 11 estrelas na bandeira da escola simbolizam os bairros da região: Bonsucesso, Brás de Pina, Cordovil, Manguinhos, Olaria, Parada de Lucas, Penha, Penha Circular, Vila da Penha, Ramos e Vigário Geral. A comunidade da escola também tem raízes no Morro do Adeus e no Complexo do Alemão.
Desfile de 1985 da Imperatriz Leopoldinense com o enredo ‘Adolã, a cidade-mistério’
Reprodução/ TV Globo
O verde, branco e dourado, cores da “Rainha de Ramos”, como é conhecida, fazem referência ao Império Serrano, sua escola madrinha.
Conta com 9 títulos de campeã do carnaval do Rio.
Unidos do Viradouro
Bandeira da Unidos do Viradouro
Divulgação/ Viradouro
As rodas de samba que aconteciam no quintal da casa de Nelson dos Santos, o Jangada, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, foram o pontapé para a fundação da Unidos do Viradouro, formalizada no dia 24 de junho de 1946. O nome vem da alcunha do espaço onde os bondes faziam o retorno na Rua Capitão Roseira, próximo à Rua Dr. Mario Viana.
A escola foi fundada com as cores azul e rosa, como uma homenagem à Nossa Senhora Auxiliadora, padroeira da escola. A agremiação mudou a partir de um problema no fornecimento de tecidos que culminou com a adoção do vermelho e branco a partir de 1971.
Por 39 anos, a Unidos do Viradouro desfilou no carnaval de Niterói, onde conquistou 18 títulos.
A decisão de passar a desfilar no Rio de Janeiro aconteceu por conta do resultado da folia de 1985, quando a escola se considerou desprestigiada. Na mudança, uma votação chegou a ser realizada entre os componentes e atestou o desejo de migrar para a festa na capital do estado.
Foi campeã do Grupo Especial três vezes: em 1997, 2020 e 2024.
Estação Primeira de Mangueira
Bandeira da Estação Primeira de Mangueira
Divulgação/ Mangueira
A Estação Primeira de Mangueira surgiu a partir da união de forças dos sambistas dos blocos da região e nasceu da união de cinco blocos carnavalescos (Arengueiros, Tia Tomázia, Tia Fé, Seu Júlio e Mestre Candinho), na Zona Norte do Rio. O objetivo era desfilar na Praça Onze. Assim, a escola foi fundada no dia 28 de abril de 1928.
Reunidos no Terreiro de Tia Fé, no grupo estavam: Angenor de Oliveira, o Cartola; Saturnino Gonçalves, Seu Saturnino; Abelardo da Bolinha; Carlos Moreira de Castro, conhecido como Carlos Cachaça; José Gomes da Costa, o Zé Espinguela; Euclides Roberto dos Santos, o Seu Euclides; Marcelino José Claudino, o Seu Maçu; e Pedro Paquetá.
Alegoria homenageando Cartola em 2016
AP
As cores verde e rosa foram uma sugestão de Cartola, usando como referência o Rancho do Arrepiado, que desfilou em Laranjeiras e trazia lembranças de sua infância. Mais tarde, foram traduzidas por Dona Neuma Gonçalves, filha de Saturnino, o primeiro presidente: “O verde vem da nossa Bandeira, das nossas matas; o rosa representa o amor”.
A Estação Primeira, que faz parte do nome, é uma referência ao lugar. Era a primeira parada do trem que tinha rodas de samba.
A escola possui 20 títulos da categoria máxima do carnaval carioca.
Unidos da Tijuca
Bandeira da Unidos da Tijuca
Divulgação/ Unidos da Tijuca
A Unidos da Tijuca nasceu a partir da fusão de quatro blocos que existiam nos morros da Casa Branca da Formiga e Ilha dos Velhacos, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Mais precisamente, a escola nasceu no dia 31 de dezembro de 1931, na subida da Rua São Miguel, 130, na casa 20, da família Vasconcelos.
Os fundadores são Bento Vasconcelos, Leandro Chagas e Alcides de Moraes, o Tatão. Com os irmãos, primos e famílias, formavam a base da escola.
Duas versões explicam as cores azul e amarelo-ouro adotadas pela escola. Uma delas afirma que elas foram adotadas da Casa de Bragança e as cores representavam bom gosto. Essa teoria afirma que a ideia foi de Bento Vasconcelos.
Outra vertente afirma que existia em uma das entradas do Morro do Borel uma fábrica de cigarros que tinha como símbolo um pavão-real com as cores que foram imortalizadas pela escola de samba.
A escola tem 3 títulos do carnaval carioca.
Beija-flor
Bandeira da Beija-flor de Nilópolis
Divulgação/ Beija-flor de Nilópolis
A Beija-flor de Nilópolis se consagrou no carnaval, mas nasceu em outra data festiva: o Natal. Mais precisamente, no ano de 1948.
A escola da Baixada Fluminense, inicialmente, formou-se como um bloco a partir da união de Milton de Oliveira, conhecido como Negão da Cuíca; Edson Vieira Rodrigues, o Edinho do Ferro Velho; Helles Ferreira da Silva, Mário Silva, Walter da Silva, Hamilton Floriano e José Fernandes da Silva.
O destino do grupo ganhou um toque especial a partir da sugestão de Dona Eulália, mãe de Milton, que sugeriu o nome Beija-Flor. A inspiração foi o Rancho Beija-Flor, que existia em Marquês de Valença.
Joãosinho Trinta em desfile da Beija-Flor de Nilópolis em 1985
Reprodução/ TV Globo
Em 1953, o bloco deu um passo adiante e foi transformado em escola de samba.
A Beija-flor tem 14 títulos de campeã do Grupo Especial, sendo a maior vencedora da era Sambódromo, desde 1984.
Salgueiro
Bandeira do Salgueiro
Divulgação/ Acadêmicos do Salgueiro
A Acadêmicos do Salgueiro nasceu em 1953, fruto da fusão entre duas escolas do Morro do Salgueiro: Azul e Branco e Depois Eu Digo.
Ao longo de sua história, a escola usou as tradições como o jongo e o caxambu a seu favor. Ao longo dos primeiros anos, a escola definiu um estilo próprio, integrando a academia ao carnaval, com profissionais oriundos da Escola de Belas Artes.
Um dos expoentes das inovações salgueirenses é Fernando Pamplona. Com ele, o Salgueiro conquistou seu primeiro título, em 1960, com um enredo sobre Zumbi dos Palmares.
Mantendo a proximidade entre o popular e o erudito, a bailarina Mercedes Baptista, primeira bailarina negra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, coreografou alas na escola.
As cores da escola são o vermelho e branco. O símbolo do Salgueiro é formado por um círculo vermelho, onde ficam dispostos os símbolos – o pandeiro, o surdo de barrica, o tamborim quadrado, o afoxé de cabaça com fitas e uma baqueta.
O Salgueiro possui 9 títulos do carnaval carioca.
Vila Isabel
Bandeira da Unidos de Vila Isabel
Divulgação/ Vila Isabel
A história da Unidos de Vila Isabel começa pelas mãos de Antônio Fernandes da Silveira, morador do Morro dos Macacos conhecido como Seu China. Fã de carnaval, já tinha ajudado a fundar o Salgueiro. Mas seu China acreditava que o bairro da Zona Norte do Rio conhecido por ser o berço do compositor Noel Rosa merecia ter também sua escola de samba.
Assim, a Vila foi fundada no dia 4 de abril de 1946 no quintal de uma casa na Rua Senador Nabuco.
A coroa, principal símbolo, é uma referência à Princesa Isabel, que dá nome ao bairro.
Desfile da Vila Isabel em 1987 com o enredo ‘Raízes’
Reprodução/ TV Globo
A escola tem como principal baluarte Martinho da Vila, que se juntou á escola em 1965, quando foi convidado para integrar a ala de compositores. De lá para cá, ele mudou a forma de composição de sambas-enredo e se consagrou como um dos principais nomes da música brasileira.
A escola se consagrou três vezes como campeã do carnaval carioca, com títulos em 1988, 2006 e 2013.
Mocidade
Bandeira da Mocidade Independente de Padre Miguel
Divulgação/ Mocidade Independente de Padre Miguel
A Mocidade Independente de Padre Miguel foi fundada em 1955, nascida de um bloco de carnaval que, por sua vez, foi originado a partir de um time de futebol de várzea, o Independente Futebol Clube.
Parte do elenco do time morava no conjunto IAPI de Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio. As origens boleiras da Mocidade foram lembradas em um dos sambas-enredo mais famosos da escola, “Vira Virou, a Mocidade chegou”, de 1990.
O time de futebol deu origem ao bloco “Mocidade do Independente” em 1953 e, três anos depois, surgia a escola.
A escola também tem fortes raízes na comunidade de Vila Vintém.
A escola de samba manteve as cores que eram símbolo do bloco de carnaval, o verde e branco. O símbolo passou a ser uma estrela de cinco pontas. Por isso, a escola é chamada de “estrela-guia da Zona Oeste”.
A Mocidade tem seis títulos do carnaval carioca.
Paraíso do Tuiuti
Bandeira da Paraíso do Tuiuti
Divulgação/ Paraíso do Tuiuti
A Paraíso do Tuiuti tem fortes raízes no Morro do Tuiuti, onde foi fundada, na Zona Norte do Rio. A região, ocupada desde as primeiras décadas do século XX por ex-escravizados, tem tradição no carnaval.
A primeira escola da região foi a Unidos do Tuiuti, de 1933. Em 1940, foi fundada a Paraíso das Baianas. A Paraíso do Tuiuti foi fundada em 1952, a partir da união entre os integrantes dos dois grupos. Porém, a nova escola foi regulamentada em 1954.
As cores também representam a união das duas escolas. O azul da União do Tuiuti e o amarelo da Paraíso das Baianas.
O símbolo da escola conta com uma lira, com louros e uma coroa.
A coroa, aliás, é o símbolo mais presente nas alegorias das escolas, para mostrar a tradição da Paraíso do Tuiuti.
Grande Rio
Bandeira da Acadêmicos do Grande Rio
Divulgação/ Grande Rio
A Acadêmicos do Grande Rio é uma das escolas mais novas entre as que desfilam na Sapucaí. Foi fundada em 22 de setembro de 1988. Ela se originou da fusão entre a Acadêmicos de Caxias e uma escola com nome muito parecido da atual, a G.R.E.S. Grande Rio, que havia sido fundada em 1971, a partir da união de quatro agremiações: União do Centenário, Cartolinhas de Caxias, Capricho do Centenário e Unidos da Vila São Luis.
A escola já nasceu com as cores verde, vermelho e branco, as mesmas do Fluminense, time de coração de Milton Abreu do Nascimento, o Perácio. Ele está entre os fundadores das duas escolas que se fundiram.
A cidade de Duque de Caxias é uma das referências do símbolo da escola que tem uma coroa sobre um brasão dividido: de um lado, um tambor com baquetas cruzadas; do outro, a Refinaria Duque de Caxias, a Reduc.
A escola foi campeã do Grupo Especial pela primeira vez em 2022.
Portela
Bandeira da Portela
Divulgação/ Portela
Em 1923, foi fundado o bloco “Conjunto Oswaldo Cruz”, que viria a se tornar a Portela. No comando do grupo, Paulo da Portela, Alcides Dias Lopes, Heitor dos Prazeres, Antônio Caetano, Antônio Rufino, Manoel Bam Bam e Natalino José do Nascimento, o Natal.
O nome Portela passou a ser usado em 1935, como uma homenagem à rua onde ficava a sede do grupo. A escola é conectada aos bairros de Madureira e Oswaldo Cruz, na Zona Norte do Rio.
No ano de 1931, a escola passou a adotar a simbologia pela qual é conhecida atualmente. Antônio Caetano, desenhista da Marinha e carnavalesco da Portela, usou as cores azul e branco em homenagem ao manto de Nossa Senhora Conceição.
Desfile da Portela em 1985
Reprodução/ TV Globo
Caetano chegou a contar que pensou em desenhar um sol nascente, como referência ao povo do Japão. No entanto, a ideia vitoriosa foi usar a águia como símbolo, por ser a ave que voa mais alto.
Com diversas contribuições ao carnaval, a Portela tem 22 títulos e é a maior campeã do carnaval, com 22 títulos.
E mais
Também possuem títulos do Grupo Especial, mas atualmente desfilam na Série Ouro:
Império Serrano
Bandeira do Império Serrano
Reprodução/ TV Globo
O Império Serrano foi fundado por dissidentes do Prazer da Serrinha em 23 de março de 1947. Os integrantes eram, principalmente, trabalhadores da estiva e entre eles havia vários membros de sindicato da categoria. Entre os fundadores estavam Sebastião Molequinho, Elói Antero Dias, Mano Décio da Viola, Silas de Oliveira, Aniceto Menezes, Mestre Fuleiro, Zacharias Avelar e Tia Eulália.
Ao longo dos anos, a escola marcou a história do carnaval carioca com inovações em enredos, apresentando alas coreografadas e investindo na formação de novos talentos.
Na ala de compositores, além de Mano Décio e Silas, já citados, o Império contou com Dona Ivone Lara e Beto sem Braço, que é o enredo da escola este ano.
Dona Ivone Lara desfilando pelo Império Serrano em 1985
Reprodução/ TV Globo
O nome da escola faz referência ao período imperial e à comunidade de onde ela se originou: o Morro da Serrinha. As cores são verde e branco.
O Império Serrano conta com 9 títulos do Grupo Especial.
Estácio de Sá
Bandeira da Estácio de Sá
Divulgação/ Estácio de Sá
A Estácio de Sá se origina da região central do Rio de Janeiro, um dos pontos de efervescência no surgimento do samba e do carnaval carioca. A área era passagem obrigatória de todos os sambistas que surgiram na cidade.
Ela se origina da Deixa Falar, considerada a primeira escola de samba do Brasil. A escola durou pouco tempo, mas seus frutos são vistos no carnaval do Rio até os dias de hoje. A escola inspirou outras.
A partir daí surgiram: “Cada Ano Sai Melhor”, “Recreio de São Carlos”, “Paraíso das Morenas”. Após várias discussões e disputas que aconteceram ao longo do tempo, a Unidos de São Carlos foi fundada em 1955.
A escola mudou de nome em 1983 para retratar uma nova realidade, que contava com integrantes de todo o bairro.
As cores da escola são o vermelho e o branco. O leão é o principal símbolo, como uma referência à Deixa Falar, escola originária.
A Estácio de Sá foi campeã do Grupo Especial em 1992, com um enredo sobre os 70 anos da Semana de Arte Moderna.