28 de fevereiro de 2025

Vice-prefeito de Rio Preto pede licença do cargo e exoneração de secretaria após suposta injúria racial a segurança do Palmeiras


Em vídeo gravado pela TV TEM, Fábio Marcondes (PL) aparece xingando funcionário de ‘lixo’. Na sequência da confusão, é possível ouvir ‘macaco velho’. Caso ocorreu no domingo (23) em Mirassol (SP). Inquérito policial foi instaurado para apurar a denúncia. Segurança do Palmeiras é vítima de injúria racial em Mirassol
O vice-prefeito de São José do Rio Preto (SP), Fábio Marcondes (PL), investigado por injúria racial por suspeita de xingar um segurança do Palmeiras após o jogo contra o Mirassol no domingo (23), pediu exoneração do cargo de secretário de Obras e solicitou licença médica da função de vice na manhã desta segunda (24).
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Em vídeo gravado pela TV TEM, Marcondes aparece xingando o funcionário de “lixo”. Na sequência, quando o vice-prefeito está de costas para a câmera, é possível ouvir um grito de “macaco velho”. Imediatamente, um dos seguranças diz: “Racismo, não”.
Vice-prefeito de Rio Preto, Fábio Marcondes (PL), é investigado por injúria racial após xingar segurança do Palmeiras
Reprodução/TV Globo
O período de afastamento do cargo de vice-prefeito, entretanto, não foi divulgado. Em nota enviada à reportagem, Marcondes disse que a discussão teve início após ofensas dirigidas ao filho dele e que o caso ocorreu no âmbito pessoal.
“Em respeito à dignidade da função pública e à confiança que a população deposita em mim, apresento, nesta manhã, meu pedido de exoneração do cargo de Secretário de Obras e, por prescrição médica, a licença temporária do cargo de vice-prefeito”, disse em nota.
Vice-prefeito Fábio Marcondes (PL) aparece xingando o funcionário do Palmeiras de ‘lixo’ em Mirassol (SP)
Reprodução/TV Globo
Marcondes ainda confirmou que está à disposição para colaborar com os esclarecimentos às autoridades responsáveis pela investigação do caso. A prefeitura confirmou à reportagem a exoneração e o afastamento temporário do cargo.
Vice-prefeito de Rio Preto é investigado por injúria racial após xingar segurança
Em nota, a Prefeitura de Rio Preto também disse que reafirma o compromisso inegociável com os princípios da igualdade, do respeito e da justiça. Ainda informou que repudia qualquer ato de racismo e lamenta o ocorrido.
O secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PL), publicou que foi instaurado inquérito policial para apurar a denúncia de injúria racial: “Não podemos permitir que condutas racistas fiquem impunes em nosso estado”, escreveu nas redes sociais.
Boletim de ocorrência
Segurança do Palmeiras registrou um boletim de ocorrência contra o vice-prefeito de Rio Preto (SP) na delegacia de Mirassol (SP)
Reprodução/TV Globo
O caso ocorreu no Estádio José Maria de Campos Maia, quando os times disputavam a última rodada da primeira fase do Paulistão.
O segurança do Palmeiras registrou um boletim de ocorrência na delegacia de Mirassol. Em depoimento, ele disse que estava na área do estacionamento onde estavam os ônibus da equipe, quando pediu que o filho do Marcondes se retirasse do local.
Conforme o segurança disse à polícia, o vice-prefeito questionou o funcionário, que rebateu dizendo que estava cumprindo a função. Diante disso, segundo ele, Marcondes começou os xingamentos. O vice-prefeito deixou o estádio em seguida.
Repúdio
Em nota, a diretoria do Palmeiras informou que não tolera qualquer forma de discriminação e tomará as providências cabíveis. Também em nota, o Mirassol manifestou repúdio ao crime.
“A intolerância e o preconceito não têm lugar em nossa sociedade, e é inaceitável que atos dessa natureza possam ocorrer. Defendemos que as denúncias sejam apuradas e, caso comprovado qualquer ato de racismo ou injúria racial, que seja punido com os rigores da lei.”
“Preconceito de raça ou de cor”
O boletim de ocorrência foi registrado como “Preconceitos de Raça ou de Cor – Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional”.
🔎 O crime de injúria racial é previsto na lei e acontece quando alguém ofende outra pessoa “em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional”. A pena é de 2 a 5 anos de prisão.
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